9 de fevereiro de 2008

REVIEW
Gone Baby Gone

Ano: 2007
Realizador: Ben Affleck
Actores: Casey Affleck, Morgan Freeman, Ed Harris

Adaptado de um livro do autor de Mystic River, o filme marca a estreia de Ben Affleck atrás das câmaras, esse grande canastrão de queixo duplo, maioritariamente reconhecidos pelos diversos papéis de merda com os quais teve o privilégio de empestar cinemas e leitores de DVD em igual medida.

Eis senão quando ele próprio se deve ter apercebido do facto e passou para trás das câmaras, num papel que, sinceramente, lhe fica bem melhor pois este Gone Baby Gone é deveras surpreendente e sólido, quer enquanto filme, quer pelo facto de ter sido ele a realizá-lo.

E aqui jaz a primeira injustiça: as pessoas irão ver o filme porque tem muitas semelhanças com o caso da Maddie. Se tem... passaram-me ao lado porque, a páginas tantas, o filme demarca-se claramente da história real e envereda por um outro caminho que nada tem a ver, lançando o espectador em dissertações e reflexões sobre o egocentrismo e a corrrupção moral nos locais mais inusitados, e face a um bem maior.
Isto é, na verdade, um "policial de investigação", mas escrito e interpretado de uma forma palpável e cheia de negrume, com uma melancolia e uma tristeza que se entranham irremediavelmente no espectador. Este investigação é "guiada" por um par de detectives privados, contratados pela mãe da menina desaparecida, e que conhecem as ruas como ninguém, pois foi aí que cresceram, tendo assim hipótese de indagar eventuais suspeitos que possam fornecer pistas sobre a menina.

E nisto, o filme dá um twist... E depois outro.... rumo a um final muito forte que deixa um espesso dilema no ar e uma sensação amarga no palato pela decisão tomada, fosse ela qual fosse.

É um filme que está cheio de boas interpretações (nomeadamente a de Ed Harris), excepto, para mim, a do protagonista Casey Affleck que, embora consiga emprestar uma densidade emocional deveras assinalável ao personagem, não tem qualquer colocação de voz e parece que está sempre a falar para ele mesmo, inclusive nos momentos de maior tensão.
É também um filme inteligente, que não dá concessões ao espectador mas que também tem o condão e a subtileza de não o frustrar, constituindo uma agradável alternativa aos filmes pipoqueiros que por aí andam.... que, embora saibam bem, não alimentam neurónios.

Um conselho: Ide com as vossas mulheres.

O melhor: O drama palpável.
O pior: Os murmúrios de Casey Affleck...
Classificação: 7

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