10 de fevereiro de 2008

REVIEW
In the Valley of Elah

Ano: 2007
Realizador: Paul Haggis
Actores: Tommy Lee Jones, Susan Sarandon, Charlize Theron

Depois do estrondoso sucesso que foi Crash, Paul Haggis assina aqui uma obra que é igualmente notável, sólida e bem construída mas que, lamentavelmente, não irá ter a mesma repercussão do título supracitado.

O filme conta a história de um sargento reformado que soube que acabou de perder o seu segundo filho na guerra do Iraque (depois de, uns anos antes, o seu outro filho também ter morrido num acidente). Dados os contornos misteriosos da sua morte, o sargento em questão (numa excelente interpretação do sempre sólido Tommy Lee Jones) decide iniciar uma investigação para deslindar os contornos obscuros do caso, com a ajuda de alguns conhecimentos, ainda "infiltrados" na máquina militar, e de uma detective (num papel obscuro de uma Charlize Theron que não sabe o que é actuar mal) que não é levada a sério pelos seus colegas, mas que está desejosa de provar que é tão boa ou melhor do que eles no seu trabalho.

O problema é que a verdade nem sempre é aquela que se esperava e o que o sargento Hank descobre sobre o seu filho e sobre o desfecho dele não será, decerto, aquilo que ele estava à espera... e para não desvendar mais da excelente trama, fico-me por aqui.

O que posso dizer é que o filme de Paul Haggis tem o raro condão de ser a mais imparcial das análises a tudo aquilo que constitui a guerra do Iraque a nível humano e emocional, quer nos soldados, quer nas famílias dos ditos pois, se por um lado mostra o quão avariados da cabeça podem regressar os recrutas devido às aberrantes experiências de vida pelas quais passam na ex-terra de Saddam, por outro lida com uma mestria sem paralelo com a dor dos familiares pela perda de um ente querido, sem cair na fácil tentação de alvejar o culpado de todo este molho de bróculos. Em vez disso, o filme passa, através de várias analogias com a história de David e Golias, a mensagem de um povo ferido e esfarrapado por dentro (como determinadas bandeiras americanas, que são mostradas ao longo do filme), mas que não deixa cair um certo patriotismo orgulhoso e puro, que é nobremente retratado, não caindo naquela megalomania bacoca de que "nós é que somos bons e democratas e queremos, por isso, evangelizar o resto do mundo".

O sucesso do filme também se ancora, indubitavelmente, no excelente trio de actores, mas a mão do talentoso Paul Haggis no argumento faz-se notar e, mesmo que o filme passe despercebido, ao menos os Óscares já lhe trouxeram alguma justiça, com a nomeação de Tommy Lee Jones para a estatueta de Melhor Actor.

O melhor: As metáforas e as analogias. Haver mais no filme para reflectir do que aquilo que foi aqui discutido.
O pior: Vai passar despercebido.
Classificação: 8

Sem comentários: