11 de fevereiro de 2008

REVIEW
John Rambo

Ano: 2007
Realizador: Sylvester Stallone
Actores: Sylvester Stallone

Algumas críticas na net dizem, e passo a citar: "Não tem humor nenhum", "É gratuitamente violento", "Alguém ainda se importa com o Rocky ou o Rambo?"...

Para esses todos, pode ir o meu sincero "Fuck you", com a certeza que usarei as vossas críticas para coçar, com galhardia, ambos os meus escrotos.

John Rambo não irá ganhar nenhum Óscar, concerteza, e Stallone não é nenhum génio interpretativo mas, que porra, é um herói da nossa infância, ícone de uma década e de um estilo de filme que já se julgava morto e enterrado e modelo e tema de conversa para várias discussões de escola, nomeadamente sobre quem ganharia numa cena de porrada entre ele e o Schwarzenegger.

O Stallone de Rambo II e III morreu. Finito ao personagem de videojogo estereotipado que entrava nas guerras contrariado mas que acabava, com iguais doses de teatralidade e frete, a acumular corpos com a mesma frequência com que se muda de cuecas. Sly passou para trás da câmara e, aqui, Rambo é um personagem genuinamente amargurado com o mundo e com a futilidade de guerras passadas, fazendo lembrar, no início, as melhores partes de First Blood. Só que,a páginas tantas, apercebe-se que, ao contrário dos outros filmes, a menos que finalmente se aceite como é, uma máquina de matar, e que "feche o círculo", nunca ficará em paz com ele mesmo. Dito isto, e uma vez que entra em acção, passa a trinchar soldados Birmaneses a golpes de catanada e vários calibres de armas, quase por desporto, como quem vai num safari, numa violência sem paralelo e com quantidades parvas de sangue, nas cenas mais impactantes desde o desembarque na Normandia em Saving Private Ryan.

Quanto à acção, tem como base a quase eterna guerra civil em curso na Birmânia, como já foi indiciado acima, mas o tema torna-se mais secundário e irrelevante à medida que o filme avança pois, assim que Stallone pega nas armas, podia estar a combater chinocas, noruegueses ou uruguaios, que o resultado seria o mesmo. O que não deixa de ser uma pena, pois esta recém-encontrada sensibilidade de Stallone atrás da câmara (em Rocky) podia ser usada para pôr o dedo na ferida e expôr ao mundo um genocídio num país esquecido por Deus. No entanto, ele apenas a arranha com a ponta da unha, nunca explorando ao fundo uma união entre argumento e acção que poderia ser benéfica para a credibilidade de Stallone enquanto realizador.

Mas também... o que interessa isso? Quem vai a um filme do Rambo sabe ao que vai e é isso que Stallone dá. Um "brainless action" imperial, com mortes violentas e em quantidades industriais, membros, sangue e vísceras a saltitar pelo écran, no limite do sadismo e.... a hora e meia de filme mais rápida de que me lembro.

É, se calhar, o último filme de acção "old-school", renovado para o novo século, o fechar do círculo de mais um mito dos eighties que pode, finalmente, dormir descansado e uma panaceia para todos os homens na casa dos 30 que sonhavam em ver, pela última vez, o grande bastião dos heróis de acção em cena no grande écran...

O melhor: A acção e o "body-count" implacável.
O pior: É um filme do passado, apenas para fãs.
Classificação: 7

Sem comentários: