23 de fevereiro de 2008

REVIEW
Juno

Ano: 2007
Realizador: Jason Reitman
Actores: Ellen Page, Jennifer Garner

Juno é uma adolescente de 16 anos diferente, exuberante, que não se coíbe de, a qualquer instante, exibir a sua personalidade vincada e de cariz marcadamente sarcástico.
E como até está na idade de molhar o pincel (salvo seja), "aproveita-se" do seu ingénuo companheiro de escola para, numa sessão de sexo apaixonado mas descomprometido, engravidar.

E agora, que a asneira já está feita? Agora é seguir em frente e tomar uma decisão diferente em relação ao puto, que passa por doá-lo para adopção para uma família respeitável, que é criteriosamente pesquisada por Juno.

Juno é um filme delicioso, fortíssimo candidato ao Óscar de Melhor Filme e que tem em Ellen Page o seu "porta-estandarte" numa interpretação que a vai atirar para o estrelato, no topo dos seus ainda jovens 21 anos (mas que parecem aqui, realmente, 16). Tudo assenta bem aqui e o filme nunca cai no aborrecimento tendo, inclusive em algumas partes, o entusiasmo narrativo de um American Beauty, onde toda a gente parecia estar a fazer o filme das suas vidas.

A personagem de Juno e o seu sentido de humor ácido são grande força motriz do filme e há ali uma ténue linha entre uma maturidade precoce, derivada dos acontecimentos e uma infância não esquecida, reflectida, por exemplo, na cena final, ou na forma como ela encara a gravidez e o bebé, perante a futura família adoptiva. Ou seja, o filme triunfa precisamente aí, naquele misto inocente de ingenuidade e maturidade de uma miúda de 16 anos que até já sabe umas coisas da vida mas que, talvez por culpa de um punhado de hormonas palpitantes, acaba por cometer um disparate com o qual depois tem que lidar.

É uma comédia muito ligeira, sem nunca cometer o pecado de cair no dramalhão exagerado e que deixa o espectador com um quentinho no coração assim que o filme chega ao fim.
No entanto, o filme, por acarretar com ele uma leveza excessiva de princípio a fim, corre o risco de ser tornar demasiado... leviano, pois acaba por se tornar numa espécie de "história da vida vs conto de fadas", na medida em que, quando Juno engravida, nem os pais a expulsam de casa, nem o "namorado" foge, nem ela fica dilacerada pelo dilema de poder abortar.... não, nada disso acontece o que, como bem sabemos, raramente corresponde ao que se passa na vida real.

O melhor: A Juno! A banda sonora. Todos os personagens. Os diálogos.
O pior: Parecer um filme leve de adolescentes para quem vê de fora. Ellen Page, a ganhar o estereótipo de "menina vítima de alguma coisa".
Veredicto: 8.5

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