9 de março de 2008

REVIEW
There Will Be Blood

Ano: 2007
Realizador: Paul Thomas Anderson
Actores: Daniel Day-Lewis, Paul Dano

Daniel Plainview é um "self-made-men". Um prospector de petróleo que, à custa de muito suor e trabalho consegue construir, no início do séc. XX, um pequeno império por toda a América profunda, com a ajuda do seu filho, que não deve ter mais do que 7 ou 8 anos. O filme conta (quase) toda a sua história de vida, dando especial enfoque à sua fascinante, ambiciosa e tenaz personalidade que, como o próprio diz, vê sempre o pior nas pessoas e é incapaz de gostar delas e, como tal, não permitirá que ninguém interfira no seu "negócio de família", como ele lhe chama.

Daniel Day-Lewis surge aqui, como já lhe foi reconhecido, num grande papel, não tão monstruoso como se dizia, mas estupendamente bem construído, com uma densidade psicológica que começa a ser composta logo nos primeiros minutos, onde assistimos ao nascimento de uma tenacidade e ambição que depois, ao longo do filme, serão pedra de toque de todo o desenvolvimento do personagem.

Mas o que é mais interessante aqui é que a interpretação de Paul Dano (o jovem alucinado que fez um voto de silêncio para entrar na Força Aérea em Little Miss Sunshine) ofusca, em muitas partes, a de Daniel Day-Lewis, pois é dos poucos personagens que, com o seu fanatismo parvo e claramente exarcebado me deu genuínos arrepios e, sempre que ele aparecia em cena, a sua fé cega causava-me um certo asco. Basicamente, o que ele faz aqui é envergonhar todos aqueles "pastores baptistas" que, um pouco por toda a América profunda, distribuem milagres como quem dá rebuçados ali na esquina.

A realização e o argumento... é o que se esperava de uma obra de P.T. Anderson (não confundir com o outro cromo homónimo que realizou o Resident Evil). Sobriedade, frieza e muita qualidade na hora de dirigir e de construir estas fascinantes personagens, na hora de saber contar uma história coerente, atractiva e fluida e, acima de tudo, um orgulho em saber que concebeu algo que é bastante superior e muito mais interessante de visionar que o "laureado" No Country For Old Men, essa suposta obra-prima que, bem esgaçada, pouco mais tem que o notável desempenho de Javier Bardem...

No entanto, e apesar de tudo isto, não é o melhor filme de P.T. Anderson pois, aqui para o escriba, falta-lhe algo da magistral e complexa teia de pessoas e vidas que foi Magnólia, assim como a frescura e o exotismo de um Boogie Nights. Mas, mesmo assim, compreendo... Acaba realmente por ser um Magnolia... mas feito para Daniel Day-Lewis brilhar.

O melhor: Daniel Day-Lewis e Paul Dano, duas interpretações brutais!
O pior: Nada de verdadeiramente mau, mas não é o melhor filme de P.T. Anderson.
Classificação: 8

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