23 de fevereiro de 2009

REVIEW
Rachel Getting Married

Ano: 2008
Realizador: Jonathan Demne
Actores: Anne Hathaway, Debra Winger



Não há palavras que justifiquem ou que descrevam a monumental armadilha na qual estes senhores do cinema me fizeram cair. Sob o pretexto de ir ver uma actriz convencional a fazer aquele que seria um papel notável sobre um drama de uma drogada em recuperação que tem que comparecer ao casamento da sua irmã, desloquei-me ao cinema na esperança de ver um drama poderoso e esmagador sobre a fragilidade da mente humana e sobre a luta que certas pessoas têm que travar contra os seus próprios demónios.

Obtive eu isto? Não.
Cinco minutos passavam e eu já perguntava "Mas que porra é esta?"

O que nós temos aqui, caros cinéfilos, é um filme caseiro de um casamento, encapotado como um drama familiar, ao qual não falta sequer o cameraman com inícios de Parkinson, a exibir uma "shake cam" tão em voga nos vídeos caseiros e nos blockbusters de 2008 e... pasme-se, uma cena de uns bons 10 minutos, no jantar de ensaio do casamento, em que CADA PESSOA diz "Ah e tal... que eu conheço o noivo desde os 10 anos e ele já aí era boa pessoa".
Claro que eu aqui pensei "Alto lá, que agora já me estão a sodomizar". Mas quando, passados 40 minutos de filme, se tem outra cena do género, mas agora com uma máquina de lavar loiça, aí sim, liguei o meu interruptor masoquista e deixei-me estar a ver o filme até ao fim, para poder vir aqui debitar-lhe impropérios.

Basicamente, e como já disse, é um filme caseiro sobre uma família que não nos interessa a ponta dum corno e cujas deambulações e tricas entre eles não são mais interessantes nem intensas que as que percorrem a minha família ou a do vizinho do lado. E ter Anne Hathaway nomeada como Melhor Actriz enquanto chamariz do filme só pode ser uma piada. O papel dela não é mais do que razoável. Só mostra que a fasquia dos srs. da Academia esteve, este ano, nivelada muito por baixo.
O casamento em si (o que dá o título ao filme) é uma longa e pastosa amostra de festa, desinteressante, pouco animada, surreal, desconfortável e recheada de má música, o que deixa este filme (?) sem qualquer amostra de virtude para exibir e chega, em variados momentos, a irritar solenemente o espectador, enquanto pensa que podia ter gasto os 5€ do bilhete num taco de basebol para depois enfiar o mesmo repetidamente pela cabeça dentro... E pensar que este é o realizador do Silêncio dos Inocentes...

Esta coisa é um engano. Um escarro. Um quisto que tem que ser extirpado o quanto antes das nossas memórias. Uma amostra de alguma coisa que queria ser e não foi. E, quando o DVD sair, será decerto o mais caro pisa-papéis que existe...


O melhor: A troca de estalos entre mãe e filha, a única com intensidade dramática.
O pior:
Até o final é estúpido...
Classificação: 2

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