3 de abril de 2009

REVIEW
Eden Lake

Ano: 2008
Realizador: James Watkins
Actores: Michael Fassbender, Kelly Reilly

Um par de namoradinhos planeiam um fim de semana romântico a um lago. Acampam, nadam, namoram... até que vêem o seu sossego perturbado por um bando de putos com as hormonas na estratosfera, que os intimidam.
O confronto é inevitável e, no meio do mesmo, uma desgraça acontece... O que se segue é o "bullying" levado ao extremo, uma perseguição pelos bosques ao pobre casal, de uma crueldade como há muito não via e que obriga o casal a recorrer aos mais básicos e animalescos instintos de sobrevivência para tentar superar a feroz perseguição de um grupo de rapazes pré-adolescentes que jogaram GTA a mais, não tiveram o devido acompanhamento dos pais e tornaram-se num símbolo da prepotência infantil, exacerbada à décima potência aqui, como que a ilustrar os malefícios da falta de orientação paternal.

Como já dei a entender acima, este excelente filme de James Watkins é um "case-study" sobre o "bullying", fenómeno tão em voga, agora mais do que nunca, inserido na perfeição no paradigma de um filme de terror. Aqui não há zombies, carne putrefacta ou coisas sobrenaturais. São apenas seres humanos, projectos de homens a exibir algumas das piores características da espécie e, de caminho, a assustar todas as mães com filhos potencialmente desavindos, quais ovelhas tresmalhadas, que vejam este filme.

Outra coisa que se torna interessante de notar é a reacção do casal à perseguição dos jovens. Em que medida é que a mesma não os torna iguais aos jovens que os perseguem. O fim justifica os meios? Foi nisto em que eles se tornaram? Ou apenas foram obrigados a tal, tendo em conta as circunstâncias?
O realizador "martela" estas dúvidas com a força de uma brita insistente na cabeça do espectador ao longo do filme, obrigando-o à bruta a questionar-se sobre as escalas de valores humanos que o filme desfila.

E o final... é brutal e inesperado, dando um travo amargo e dramático a todo o enredo, embora lógico mas... não vai deixar toda a gente contente, de certeza.


O melhor: A tensão constante e o estudo sociológico do "bullying".
O pior: O final é abrupto e bruto, e não vai agradar a todos.
Classificação: 7.5

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