31 de dezembro de 2009

MASS REVIEW
Filmes de fim de ano...

Deixo-vos, no último dia do ano, com algumas críticas que, aqui e ali, foram ficando na gaveta....


2012

Ano: 2009
Realizador: Roland Emmerich
Actores: John Cusack, Amanda Peet

O realizador-catástrofe por excelência, Roland Emmerich, regressa, desta vez para partir com o planeta todo à custa de uma antiga profecia Maia que prevê o fim da humanidade para 2012.
E gastou uma pipa de massa a fazê-lo, com efeitos especiais caríssimos... o problema é que o protagonista, um escritorzeco que, por força das circunstâncias, se vê obrigado a defender a sua família do apocalipse iminente, transforma-se num Michael Schumacher elevado à décima potência, capaz de, a 200km/h, desviar-se de prédios a cair, meteoritos, super vulcões em fúria e outras calamidades várias.
Para além desta implausibilidade, o argumento em geral é proveniente decerto de um bosteirão ressequido de caca de rato (e estou a ser simpático), com diálogos lamechas e artificialmente sentimentalóides (durante os quais, as catástrofes entram em "modo pausa") e com uma mensagem pró-americana já tão gasta e tão... eighties que, enfim...

Não estava à espera de grande coisa e, mesmo assim, conseguiu desiludir! Lá vai mais um filme (de quase 3 horas!) do Emmerich direito para o monte de esterco.

O melhor: A cena da fuga de LA, de cortar a respiração.
O pior: Tudo o resto, nomeadamente os personagens.
Classificação: 2


Spread

Ano: 2009
Realizador: David Mackenzie
Actores: Ashton Kutcher, Anne Heche

Ashton Kutcher é um playboy que ganha a vida a chular trintonas ou quarentonas com carreira, mudando-se para casa delas e, qual pária, sorvendo-as até ao tutano enquanto lhes proporciona doses industriais de sexo explícito e selvagem.

E pronto, está contado o filme, pois mais de metade do mesmo é isto... Sexo, pinocada e berlaitada em todas as posições. O resto do filme mete um bocado de consciência e culpa, do género "Ah e tal, que não posso mais fazer isto pois estou a ficar velho, flácido e desinteressante", mas não deixa de parecer uma desculpa esfarrapada para mascarar uma pobreza de filme, que vale apenas pelas generosas doses de boas mamas que proporciona e por ser um veículo para promover a "pretty face" do Ashton Kutcher.

O melhor: Sexo, mamas e cus à fartazana.
O pior: Ser tão vazio como o protagonista.
Classificação: 4

Gamer

Ano: 2009
Realizador: Mark Neveldine / Brian Taylor
Actores: Gerard Butler, Michael C. Hall

Imaginem um futuro em que todos jogamos Modern Warfare ou Sims 3, mas em vez de ser com bonecos, é com pessoas a sério. Ou seja, "convidam-se" presidiários a servir de carne para canhão em jogos de guerra, onde são controlados através da mente por putos de 16 anos sedentos de acção ou "empregam-se" pessoas para servir de objectos sexuais de avatares, controlados por gajos desesperados e gordos que nunca tiveram sequer um cheiro do que é uma vida sexual.

Ou seja, o conceito do filme é deveras interessante, pois retrata um futuro negro para os videojogos, onde a dependência dos mesmos e a procura constante de novas sensações levou um criador de jogos sem escrúpulos e ambicioso a desenhar a experiência mais realista de todas.
O problema é que, a partir de determinado ponto, os realizadores (responsáveis pelo excelente Crank, de onde extraem grande parte das influências visuais) não sabem o que fazer com o argumento, e começam a enfardar-nos com clichés dos filmes do género, que culminam, invariavelmente, na luta final entre o bem e o mal. Mas eu, por esta altura, já tinha ido ao café da esquina saber o resultado do Benfica, enquanto deixei o filme a falar sozinho...

O melhor: A concepção do futuro.
O pior: A falta de soluções para o desenlace do filme desemboca no enésimo chorrilho de estereótipos.
Classificação: 6

Vicky Cristina Barcelona

Ano: 2008
Realizador: Woody Allen
Actores: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Javier Bardem

Woody Allen está-lhe a tomar o gosto a este tipo de filmes (sim, porque não era esta a ideia que eu tinha de um filme de Woody Allen) e a verdade é que gosto cada vez mais do que vejo.
Ambientado na cálida Barcelona, conta a história de duas amigas americanas, uma mais libertina e a outra mais conservadora que acabam por ficar pelo beicinho por um artista catalão com um coração conturbado, e que ainda se vê perseguido pela psicótica da ex-mulher (uma Penélope Cruz excelente e descabelada).
Woody Allen tece aqui uma teia romântica complexa e, ao mesmo tempo, muito fácil de seguir e digerir, sempre polvilhada de tensão sexual (nunca explícita) e desempenhos excelentes, o que tornam o filme numa espécie de requintado "hors d'oeuvre" para o fim de ano que se avizinha. Ou seja, ainda vão a tempo de ir alugar o DVD enquanto a meia-noite não chega :)

O melhor: O clima de tensão sexual, a fotografia quente e as paisagens.
O pior: Nada de assinalável.
Classificação: 7.5


District 9

Ano: 2009
Realizador: Neil Blomkamp
Actores: Sharlito Copley, Jason Cope

O primeiro filme de Neil Blomkamp é uma delícia, a melhor obra de ficção científica desde... sei lá... desde os Aliens de Cameron, talvez.
Para começar, a premissa: pôr uma nave espacial avariada a flutuar sobre Joanesburgo é brilhante. Pôr os aliens (ou "prawns", como são chamados no filmes) a viver isolados em ghettos, em condições deploráveis, é de génio. Pôr uma espécie de "agente do SEF" a entregar-lhes ordens de despejo (pois vão ser mudados para um campo de refugiados na periferia da cidade), completamente igorante do que se está prestes a passar com ele, é de puro génio.
E esta é a maior virtude do filme, ou seja, aliar um verdadeiro compêndio de bons efeitos especiais e uma acção trepidante (com o dedo - e a mão toda - do produtor Peter Jackson metido na quantidade parva de gore que aparece na última meia hora de filme) com um argumento envolvente, cómico, coerente e bem sucedido que faz deste District 9 um filme a guardar e a rever, vezes sem conta! O meu já cá está na prateleira, directamente da Amazon...
Se o Vicky Cristina Barcelona é a entrada, este pode ser o prato principal !

O melhor: Ficção científica conforme mandam os livros! O personagem principal, hilariante!
O pior: Nada.
Classificação: 9.5

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