29 de janeiro de 2010

REVIEW
Antichrist

Ano: 2009
Realizador
: Lars Von Trier
Actores
: Willem DaFoe, Charlotte Gainsbourg

Prólogo. Um casal manda uma berlaitada explícita, poética e arrebatadora ao som de uma opereta. Alheio ao pinanço, o filho do casal, com uns 2 anos de idade, decide chegar-se ao parapeito de uma janela e explorar as possibilidades de vôo humanas. Falha redondamente. A mãe, que viu o filho aproximar-se da janela e nada fez, com medo de perder o comboio orgásmico das 3:20, passa o resto do filme consumida por um devastador sentimento de perda e de culpa que o marido, um psicoterapeuta credenciado, pretende solucionar levando-a a uma cabana no bosque (curiosamente chamada de "Éden") e confrontando-a com os seus medos.

Nunca vi um filme de Von Trier. Este atraiu-me porque metia o Willem DaFoe, actor que muito prezo, sexo e gore a partes iguais. Perante os testemunhos chocados de imensos espectadores e críticos por esse mundo fora, este escriba sedento de sangue tinha que ir meter o bedelho e ver com os próprios olhos a que se devia tanto escabeche.

Felizmente, é muito mais do que o sexo (bem explícito) e a violência. São metáforas, simbolismos, rituais, medos, fobias, paranóias que se atiram para um caldeirão (sob a forma de uma cabana perdida no bosque) com um bocado de piri-piri para fazer um filme perturbador e inquietante. Aliás, faz todo o sentido que Von Trier tenha construído este filme no âmago de uma profundíssima depressão, como afirmou, pois ele apresenta uma evidente utilidade de "espanta-espíritos", confrontando os protagonistas (e, por consequência, o realizador) com os seus próprios terrores, rumo a uma redenção final, que é mais satisfatória para uns do que para outros.

Há muito boa gente por aí que vai ficar chocada com isto. No entanto, para além da capa de violência gratuita e de ter dois personagens que podiam pertencer a um qualquer culto satânico, há muito mais para descobrir, nomeadamente na segunda metade do filme, onde a humanidade é posta à prova perante as perversões da psique...

O melhor: As metáforas e o simbolismo.
O pior
: A primeira metade do filme é um bocado desmotivadora.
Classificação: 8

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