29 de janeiro de 2010

REVIEW
Up In The Air


Ano: 2009
Realizador: Jason Reitman
Actores: George Clooney, Vera Farmiga

Num mundo afligido e ferido pela grave crise económica, o novo filme de Jason Reitman tem o condão de ser contemporâneo, mas de uma forma pouco usual no cinema. Ou seja, toca numa das mais delicadas feridas da actualidade (a conjuntura económica e a consequente perca de empregos em massa) de uma forma francamente optimista e diferente, retratada através de uma série de relatos de pessoas que foram despedidas pelo protagonista (George Clooney), um "corporate man" encarregado de fazer o trabalho dos empregadores cobardes, ou seja, comunicar às pessoas que foram despedidas, da forma mais simpática e construtiva possível.

Em consequência deste tipo de trabalho, Clooney passa a vida a saltitar de avião em avião, de cidade em cidade, como um verdadeiro "cidadão do Mundo" (ou americano, no caso) que tem, como filosofia de vida quase inevitável, não se "agarrar" a ninguém, usando para isso a "metáfora da mochila", que leva sempre com ele apenas com coisas e não pessoas. No entanto, e como é costume neste tipo de filmes, conhece uma mulher interessante cujo trabalho a faz viajar tanto como ele e... pronto, "ah e tal que afinal até me consigo apaixonar, etc."

No entanto, nem tudo termina no happy-end da praxe. Mas também não descamba no drama. Fica ali naquele meio termo do "blah", que não é carne nem é peixe e, a páginas tantas, não desenvolve para lado nenhum. Não há um climax, não há um momento de êxtase, não há um momento de comédia desbregada... é tudo em baixa rotação, um reflexo fiel do estilo de vida repetitivo e, por vezes, até monótono do protagonista, pautado pelos já habituais "casos da vida" familiares que também salpicam o filme. A introdução de uma jovem e ambiciosa funcionária, que irá acompanhar Clooney nas suas viagens, faz com o que filme passe a ser uma espécie de "buddy-movie", mas nem assim a coisa levanta do chão.

É por isso que não encontrei neste Up in the Air as qualidades que muitos vêem nele, nem tão pouco encontrei a mesma leveza e fluidez da história que vi em Juno, o anterior filme do realizador. Clooney faz um bom papel, admito-lhe isso, mas está longe, longe de ser o filme do ano... ou até do mês! Vale mais por alguns detalhes (como as entrevistas sentimentalóides dos despedidos - sinceras mas não muito negativas - e os primeiros 10 minutos de filme) do que pelo todo.

O melhor: A construção psicológica da personagem principal (com a metáfora da mochila) e os relatos dos despedimentos
O pior: Os últimos 20 minutos são para dormir.
Classificação: 6

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