26 de fevereiro de 2010

REVIEW
Two Lovers

Ano: 2008
Realizador:
James Gray
Actores:
Joaquim Phoenix, Gwyneth Paltrow

Este é um daqueles filmes (uma adaptação de um outro filme de Visconti, que por sua vez foi adaptado das Noites Brancas de Dostoevski...) que, volta e meia, passam por aqui e constituem a essência deste estaminé. Ou seja, é um filme que passou despercebido mas que seria quase criminoso vetá-lo ao esquecimento, por ser um dos melhores estudos de personagens que por aí andam.

Ele é bipolar, ela está caída por um homem casado (e com filhos). Pelo meio conhecem-se e fazem por se amar, perdidos que estão nas complexidades das suas mentes... no entanto, o filme mostra que a vida não é um guião de cinema e nem tudo nela sai com a linearidade expectável e passível de culminar num happy-ending vomitivo e forçado. Na vida não é assim e Joaquim Phoenix arranca uma interpretação simples, realista, sofrida e portentosa, de tão simples e nua que é, tendo o condão (sempre admirável) de nos colar ao personagem, ao seu destino e às suas mágoas, como uma lapa, e de guiar uma Gwyneth Paltrow desinibida (que até mostra descaradamente uma mama inteira, imagine-se), numa performance também surpreendente como a mulher que sofre por um amor que não pode ter, enquanto tem outro que não compreende.

E o filme leva-nos assim, de um pé para o outro, entre a entrega dele e a mente alheada dela, numa relação entre dois personagens que raramente foi tão fascinante no grande écran.
Que pena, que pena que este tenha sido o canto do cisne de Phoenix, antes de se passar da cabeça, fumar droga a mais e dedicar-se ao rap (!) porque, com papéis assim... vai lá vai... é um desperdício!

O melhor: A dupla de actores, soberba.
O pior: É tão doloroso como a vida real...
Classificação: 8.5

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