26 de junho de 2010

REVIEW
Green Zone

Ano: 2010
Realizador: Paul Greengrass
Actores: Matt Damon, Brendan Gleeson

Estando a guerra no Iraque a marinar em banho-maria, é da mais elementar justiça agitar as águas de vez em quando e trazer de novo a lume alguns dos temas mais polémicos da referida guerra, como a (não) existência de armas de destruição maciça que, afinal de contas, foram a pedra de toque principal para a invasão do país.

E Matt Damon é um peão desta invasão, um simples capitão de um batalhão de intervenção, responsável por varrer todas as posições onde, alegadamente, se encontram as ditas armas de destruição maciça. Só que perante consecutivas missões falhadas onde tudo o que encontra é pó e lixo, o nosso capitão Miller começa a questionar-se sobre a validade das informações que lhe vão sendo transmitidas.

Parece-me importante que se analise este filme por duas vertentes.

A primeira, enquanto filme de acção propriamente dito leva-me a considerar que o realizador Paul Greengrass ainda não tem estaleca para um vôo deste calibre, pois nunca se consegue decidir se o nosso herói é isso mesmo, um herói, capaz de acabar sozinho com toda a guerra (da forma mais verosímil possível) ou se é apenas um peão, perdido num jogo de reis e rainhas, onde se limita a andar para a frente e a obedecer a ordens.
É esta dicotomia ambígua que mina implacavelmente o filme enquanto veículo de acção e o faz andar aos solavancos e aos repelões, sem a fluidez e a intensidade de um Black Hawk Down. E valha-nos Matt Damon que, por causa do seu historial como Jason Bourne, empresta credibilidade física ao papel que desempenha e leva o filme atrás. Sem ele, isto seria a enésima estopada, digna de televisão, de uma guerra que correu mal.

A segunda (e quanto a mim aquela onde Greegrass está mais capacitado) politiza toda a acção e dá-lhe uma cobertura de chocolate que levanta dilemas e coloca questões preciosas sobre a futilidade de toda aquela acção militar, sobre a forma como as próprias agências sabotam o trabalho umas das outras e sobre a forma como eles, os americanos, ao fazerem as coisas como fizeram, demonstraram ser tão ou mais terroristas que os temíveis fundamentalistas islâmicos. E é aqui que a analogia dos peões e dos reis acima citada ganha a sua máxima importância, perante a constatação (já sabida mas aqui recalcada) da estranheza que causa haver um soldado que não se limita a seguir ordens, de forma cega, mas questiona-as e questiona a validade das decisões dos burocratas arrogantes que, sentados a uma mesa, decidem o destino de milhões...


O melhor: Os gambozinos de destruiçao maciça e os jogos de poder.
O pior: A ambiguidade da realização das cenas de acção.
Classificação: 8

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