26 de junho de 2010

REVIEW
Shutter Island

Ano: 2010
Realizador: Martin Scorcese
Actores: Leonardo DiCaprio, Mark Ruffalo

O marshall Teddy Daniels é designado para investigar o desaparecimento de uma paciente num hospital psiquiátrico (ou "asilo para doentes mentais", para lhe darmos um ar mais soturno) em Shutter Island, uma ilha que mais parece uma versão "bad boy" de Alcatraz, com muitas ondas, mau tempo constante e uma antipatia natural entre os "autóctones" que apenas o faz desconfiar, ainda mais, que todos eles escondem alguma coisa e que há algo a cheirar a esturro nesta história.

O novo filme de Scorcese é uma daquelas obras que, admito, não vai agradar a todos pois, pelo que li em vários comentários espalhados pelo inacabável mundo dessa coisa a que chamam net, o final do filme topava-se à légua e só isso bastava para fazer descer esta obra ao nível mais baixo de esterco de rato.

No entanto posso dizer que vi o filme com mais pessoas e nenhuma delas cheirou o final até ele estar quase a cair-nos em cima. Talvez ele até estivesse sempre lá, mas a forma suave como Scorcese dirige abstraiu-me de mais suspeitas. É como se o realizador nos estivesse a passar com um paninho de veludo na cabeça e a tapar-nos a argúcia com meiguice, enquanto nos sussurra ao ouvido "Deixa-te ir na corrente, oh porco, não me quilhes o enredo com as tuas suposições".

Não esquecer também aqui a bravura que DiCaprio empresta ao seu papel e que nos faz querer que, a qualquer momento, a paciente perdida será encontrada, tendo em conta a voracidade e sagacidade com que o nosso "marshall" vai devorando e decifrando pistas enquanto se começa a deixar consumir pelo local.

Desde os diálogos até ao ambiente, opressivo e negro, tudo se conjuga para fazer deste cenário a melhor utilização possível para os hospitais psiquiátricos no cinema, evocando a iminência constante de um momento "saca-sustos" capaz de nos fazer arrepiar os pêlos do cu. Como tal não acontece, o que fica é um thriller super competente e que é um dos melhores filmes do ano.


O melhor: O ambiente da ilha é deliciosamente lúgubre.
O pior: O final é um bocadinho telegrafado...
Classificação: 9

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