28 de agosto de 2011

REVIEW
The Whistleblower



Ano: 2010
Realizador: Larysa Kondracki
Actores: Rachel Weisz, David Strathairn

Naquilo que me lembro de ser o meu tempo de vida, nunca distingui o cerne do objectivo dos discursos do sr. Kofi Annan e do sr. Ban Ki Moon, os dois "bosses" das Nações Unidas que me lembro de conhecer. E nunca os distingui porque via neles o arquétipo da ideologia vã, carregada de clichés, hipocrisia e muita ineficiência (que, talvez, até seria estudada) perante os diversos desastres que foram assolando o mundo e que, consecutivamente, gritavam por uma intervenção mais eficaz deste organismo.

Lamentavelmente, este é o filme que vem confirmar estes receios e incertezas ao expôr um escândalo do qual, francamente, não tinha qualquer ideia de ter acontecido, provavelmente por ter sido eficazmente encoberto pelas entidades "competentes" e que acaba por pôr ilustrar aquilo que as Nações Unidas não são, ao focar-se no tráfico de mulheres na ex-Jugoslávia do pós-guerra. Uma oficial de polícia competente e séria descobre a careca da podridão e luta para expôr o escândalo, não obstante os óbvios perigos a que se sujeita.

Este é a primeira longa-metragem da realizadora que, na primeira meia hora, exibe um estilo um bocado lento, errático e errante de direcção, o que dá a entender que a protagonista anda um bocado às aranhas de um lado para o outro. No entanto, rapidamente encarrila para um filme obscuro, negro e que expõe em toda a sua plenitude um dos mais problemáticos cancros da sociedade actual, cuja difícil resolução e luta titânica contra os lobbies e poderes vigentes acabam por, num momento climático, levar a protagonista e o espectador a exasperar de frustração perante a dimensão do problema aparentemente irresolúvel que está em jogo.

Podia, em alguns momentos, ser um filme mais cirúrgico, mas a forma gráfica e explícita como abre os olhos para este problema e a coragem que demonstra em chamar os bois pelos nomes é inédita em todo o cinema que já vi e, só por isso, trata-se de um filme absolutamente imprescindível de ser visto e digerido por todos aqueles que gostam de cinema e que têm consciência social, cívica e... humana.


Classificação: 9

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